segunda-feira, 11 de junho de 2012

Countee Cullen

A semente

Tive a impressão que o corpo era semente
Quando na Terra fui menino,
E se o vento empurrava-me no campo
Eu maldizia meu destino.

Essa Ideia curiosa acompanhou-me
E bem mais tarde, homem já feito,
Quando ia ao cemitério e via a cova
Sentia opresso todo o peito.

Quando contei o caso, meus amigos
Disseram: 'Certo, você mente.'
Mas desde que morri tenho certeza
De que saí de uma semente.
   

Thomas H. Dickinson escreve que 'durante a Guerra Europeia o negro afirmou-se como o cantor das próprias canções e compositor das suas próprias poesias e músicas. Assim fazendo, trouxe à América do Norte uma contribuição que muitos afirmam ser a nota mais tipicamente norte-americana nas letras, nas artes plásticas e na música do país.' Dentre esses talentos está o poeta e romancista negro Countee Cullen (l903 - 1946) que muitos de seus poemas foram transformados em canções por Emerson Whithorne. Bacharel em arte pela Universidade de Nova Iorque, em 1925, e no ano seguinte, doutor em artes pela Universidade de Harvard. O poema A SEMENTE foi extraído da obra Antologia do mais além, Jorge Rizzini, Editora Espírita Paulo de Tarso. Goiânia. 1993.
Luiz Humberto Carrião  

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Quem tem medo da obsessão?


Tensões e ansiedades. 
Angustias e depressões. 
Perturbações e desequilíbrios. 
Neuroses e psicoses. 
Desentendimentos e desuniões. 
Agressividade e violência. 
Vícios e compulsões.

Jean Paul, citado por Flávio Carneiro em O LEITOR FINGIDO, editora Rocco. Brasil. 2010, afirma que ‘livros são cartas endereçadas a amigos, só que mais longas’. Assim me pareceu o livro de autoria de Richard Simonetti, QUEM TEM MEDO DA OBSESSÃO? Veio-me a uma releitura dez anos depois, com uma observação à página 92: ‘É necessário um estudo mais profundo de minha parte sobre a obsessão fascinação para encontrar o porquê de tudo que estou passando. 14.7.2002. Carrião’. Desliguei a televisão. Tomei um caderno de anotações. Debrucei sobre o livro madrugada afora. Ao contrário, como sempre faço não me propus a uma opinião sobre a obra, e sim, uma resenha, tamanha importância do assunto tratado.

Quem tem medo da morte?
Quem tem medo dos espíritos?
Quem tem medo da obsessão?

Richard Simonetti, em - QUEM TEM MEDO DA OBSESSÃO? - procura ‘desmitificar a tão temida influência demoníaca que as fantasias teológicas vêm sustentando’. Espírita, atribui muito de nossos desajustes e enfermidades a influências espirituais. O Espiritismo vai mais além, escreve o Simonetti. Submetendo o fenômeno mediúnico a rigorosos métodos de experimentação, o que lhe permite superar crendices, mitos e superstições, demonstra que anjos e demônios são apenas homens desencarnados, as Almas dos mortos, agindo de conformidade com suas tendências. São regidos, entretanto, por leis divinas que mais cedo ou mais tarde nos conduzirão todos à perfeição. Esse o objetivo de Deus que, como ensinava Jesus, não quer perder nenhum de seus filhos. E não perde mesmo. Se perdesse, não seria Onipotente, observa o autor.

Dicionário de Filosofia Espírita. Palhano Junior. Edições CELD. Rio de Janeiro, 1999. Espiritismo. (Do francês: Espiritisme) Doutrina codificada por Allan Kardec, baseada nas evidências da sobrevivência da alma e da comunicação dos Espíritos com os homens, por meio da mediunidade. ‘O Espiritismo é uma ciência que vem revelar aos homens, por provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo’. Obsessão. Impertinência; perseguição; vexação. Preocupação exagerada com determinada ideia, que domina de modo doentio o espírito, sendo resultante ou não de sentimentos recalcados. Ideia Fixa. Mania. Segundo Allan Kardec em ‘O Livro dos Médiuns’ (Cap. XXIII) obsessão, na ideia espírita, é o domínio que alguns Espíritos inferiores logram adquirir sobre certas pessoas. Kardec lembra ainda que os Espíritos Superiores e Bons, nunca infligem constrangimentos, ao contrário, aconselham, combatem a influência dos maus espíritos. Os maus espíritos, quando podem e conseguem, agarram-se àqueles de quem podem fazer suas presas. Chega-se a dominar alguém se identifica como espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança. A obsessão, então, consiste na tenacidade de um Espírito, do qual não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua. A obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: obsessão simples; fascinação e subjugação. 1. Obsessão simples: influência de um Espírito malfazejo que se imiscui no campo mental de uma pessoa e o importuna de várias maneiras, psicológica, física e moralmente. 2. A fascinação é muito mais grave. É uma ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio. O fascinado, médium ou não, não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte de lhe inspirar confiança cega (hipnótica), que o impede de ver o embuste e de compreender os seus atos, por mais que o absurdo deles salte aos olhos de toda gente. 3. A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é constrangido a tomar resoluções Muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão, ele julga sensatas. Quase que uma fascinação, só que compulsiva. No segundo caso, o Espírito atua sobre as regiões motoras do cérebro em transe e provoca movimentos involuntários. Pode levar aos mais ridículos atos. Obsedado. Que sofre a ação infortuna e tenaz de alguém, de um espírito, de uma ideia; completando a trilogia, obsessor, aquele que causa obsessão; que importuna.

Influem os Espíritos em nosso pensamento e, em nossos atos?

Um novo esclarecimento: Espírito. (do latim: Spiritus = sopro, vento, hálito, respiração, exalação, sopro divino, gênio, espírito, alma: do grego: pneuma. Em Aristóteles, pneuma era o poder formativo e invisível, e, assim, a palavra aproximou-se do significado atribuído a psyché (alma). Alma era puramente funcional – alma das coisas – e pneuma era usado como substância. Para o Espírita, alma é o Espírito encarnado. No sentido especial da doutrina espírita, os Espíritos são os seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do mundo material; constituem os seres inteligentes do mundo invisível, ou mundo espiritual. Não são seres oriundos de uma criação especial, porém as almas dos que viveram na Terra, ou nos outros planetas, e que deixaram o invólucro corporal. Diz-se que a alma é o Espírito encarnado. Parte imaterial do ser humano.

Questão 459 de O Livro dos Espíritos em resposta à pergunta: ‘Muito mais do que imaginamos; influenciam a tal ponto, que de ordinário são eles que os dirigem’. Os Espíritos estão aqui. O mundo espiritual é esse aqui. Aqui é que os Espíritos viciados procuram satisfazer o vício; vítimas intentam vingar-se de seus algozes; usurários defendem o ouro amoedado; ambiciosos pretendem sustentar dominação; fugitivos da luz trabalham em favor das trevas; famintos de sexo vampirizam sexólatras; gênios da maldade semeiam confusão; e, e alienados da realidade espiritual perturbam familiares. É toda uma imensa população invisível que nos acompanha e influencia, não raro, transformando-nos em instrumentos de seus desejos, manipulando-nos como se fossemos marionetes.

Simonetti assevera que Tato, Paladar, Audição, Visão e Olfato nos colocam em contato com o mundo físico, a mediunidade, um sexto sentido, nos coloca em contato com o mundo invisível, o espiritual. Mediunidade. É uma faculdade inerente ao homem que permite a ela a percepção, em um grau qualquer, da influência dos Espíritos. Não constitui um privilégio exclusivo de uma ou outra pessoa, pois, sendo uma possibilidade orgânica, é hereditária e depende de um organismo mais ou menos sensitivo. Só se classificam pessoas como médiuns, se a mediunidade se mostra bem caracterizada e se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade. Essa faculdade não se revela, da mesma maneira, em todos. Geralmente, os médiuns têm uma aptidão especial para os fenômenos desta, ou daquela ordem, donde resultam variedades quantas são as espécies de manifestação.

Anjos e Demônios são espíritos que atuam, no caso especifico, sobre o encarnado de acordo com seu grau de evolução. Simonetti define a obsessão como uma espécie de torcicolo mental, onde o indivíduo sente-se dominado por determinados pensamentos ou sentimentos, como se fosse uma paralisia da vontade que lhe impõe embaraços à apreciação serena e saudável dos conjuntos existenciais. Em uma frase: ‘Obsessão é ideia fixa. É um comportamento insólito e compulsivo. Assim define a obsessão: 1. Obsessão simples começa geralmente como auto-obsessão, onde o obsedado passa a se comportar de maneira como é visto; A fascinação é mais envolvente que a simples. O obsedado é convencido de realidade em suas fantasias. ‘Na obsessão simples o obsediado sabe que está errado nos absurdos em que incorre; na fascinação ele não tem nenhuma dúvida de que está absolutamente certo’. Utilizando-se de uma imagem, Simonetti, compara o obsediado simples a um neurótico do ponto de vista clínico, e o obsedado fascinante a um psicótico, e ilustra com a frase de Jerome Laurence, dramaturgo norte americano: ‘O neurótico constrói um castelo no ar; o psicótico, mora nele’, e, acentua de maneira mordaz, Laurence, referindo-se às sessões terapêuticas: ‘O psiquiatra cobra o aluguel que muita das vezes é vitalícia’. Sobre isso, escreve Simonetti: ‘Curiosamente, a vítima da obsessão simples pode encontrar a cura de seus padecimentos submetendo-se à terapia freudiana. Uma negação aos princípios espíritas? Não! Ocorre exatamente o contrário. O sucesso da psicanálise apenas confirma o Espiritismo. A explicação e simples: Iniciada a análise, estabelece-se uma disputa entre o médico e o obsessor. O médico, usando a palavra articulada, procura induzir o paciente a reagir aos seus temores e angústias, conquistando a estabilidade emocional. O obsessor, pelos condutos do pensamento, trata de sugestioná-lo para que permaneça no desequilíbrio. Se o psicanalista possuir um poder de persuasão mais avantajado provavelmente prevalecerá sua iniciativa, favorecendo a recuperação do paciente. [...] Tão logo é suspenso o tratamento o obsessor volta a envolver o obsedado, explorando-lhes as fraquezas e precipitando-o em novas crises. Muita conversa e dinheiro desperdiçados porque o psicanalista, geralmente orientado por concepções materialistas, tem os olhos cerrados à realidade espiritual’.

Uma das fascinações mais freqüentes ao obsedado é a amorosa, principalmente, quando a partir da tração física instala-se o desejo irrefutável de comunhão carnal, em paradoxos passionais. E, finalmente, na obsessão demoníaca já uma subjugação onde o obsessor controla os movimentos do obsedado, sobrepondo-se suas reações, impõe-se lhe gemidos, gritos, estertores, orgasmos, desmaios, desvarios incontroláveis. Simonetti esclarece que ‘animados por mórbidos propósitos o perseguidor invisível tanto mais se compraz quanto maior a degradação a que consegue submeter a vítima, levando-a, não raro, a precipitar-se na solidão de cubículos destinados a inquietos e agressivos enfermos mentais.

Tanto quanto o amor, o ódio recíproco estabelece estreitos vínculos. Há apenas uma diferença: os que se amam auxiliam-se mutuamente, em laboriosas jornadas de progresso e bem estar. Os que se odeiam agridem-se interminavelmente, com vantagem eventual para aqueles que se situam no anonimato, quando despidos da carne, em transito pelo além. Jesus dizia que espíritos dessa natureza só podem ser afastados com jejum e oração. Se por um lado o jejum simboliza o empenho de superar a natureza animal, representada pelos vícios e paixões; a oração simboliza o empenho de cultivar a natureza espiritual, buscando a comunhão com Deus. A obsessão geralmente origina-se de sombrios dramas pessoais de inenarráveis tragédias ocorridas no passado distante ou próximo; em existências anteriores ou na atual, assevera Simonetti.

A verdade liberta!
Procure a sua.

Luiz Humberto Carrião              

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ato de escrever

Escrever me tem sido exercício solitário
Na decepção plasmada de um ideário.

Nada mais do que simplória despedida
Da vida passada, amarga e dividida.

Escrever me tem sido prática solidária
De necessidade única e imaginária.

Multiplicação, divisão, adição e subtração
Em mim, sobrepuseram o poder da oração.

Solitário com esse escrever
Encurto o caminho a percorrer.

O que era para ser um poema
Transformou em insolúvel problema.

Solidário ao fim de todos viventes
Espero com demora o meu poente.

Antecipá-lo - ato de covardia,
Agraciá-lo - ação de hipocrisia.

Luiz Humberto Carrião

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Litania da Lua

Lua que é ouro no nascente,
E prata reluzente no poente.

Hóstia por mãos invisíveis levantada,
Consagrando humanidade desvairada.

Lua de São Jorge, o guerreiro,
Presente no céu e no Terreiro.

Do céu influencia marés,
Na terra encanta pajés.

Lua que traz paixão e mel,
Desilusão, dor e fel.

Diga-me se é verdade ou mentira,
Invadiram mesmo sua bastilha?

Lua de seus mistérios,
Iluminando maternidades e cemitérios.

Rogai por mim pobre mortal,
Diante desse mundo cruel e colossal.

Luiz Humberto Carrião
Ilustração: Foto LHC (Fazenda Santa Luzia do Monte)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Doce Memória (Sweet Memories)


Amor. Para uns "eterno enquanto dura"; para outros, coisa do coração que nem sempre sabe o que é melhor para o vivente que o abriga; muitos o dizem bobagem; poucos a sua inexistência. Romances, novelas, contos e canções o retratam ao longo do tempo como o mais sublime dos sentimentos humanos. Seja ele o representado pela Deusa Vênus Mãe, seja ele o representado pela Deusa Vênus Filha, que, de ambos, é o que mais estragos faz por não depender somente de um, mas da vontade e da existência de outro. Todo ser humano traz dentro de si, uma 'Doce Memória'. Ray Charles cantou e encantou o mundo com Sweet Memories. Noutro dia, em minhas andanças pelo mundo da música encontrei uma versão à língua pátria na voz de um cantor cujo ciúme acabou levando-o a um ato de fraqueza humana, matar. Matou por amor? Matou por ciumes? Matou por ódio? Matou por quê? Mas isso, não invalida sua interpretação impecável! Digna de poucos intérpretes no mundo. Uma versão que traduziu a expressão de sentimento do autor, e não, a tradução mecânica do que foi escrito em língua inglesa. Uma voz feminina associada a sua impõe a suavidade e beleza que a canção de Ray Charles exigiu. Sem preconceitos de estilo musical ou mesmo de quem a interpreta, viaje no seu passado com essa canção, Doce Memória.

Nascido Lindomar Cabral e batizado artisticamente com o sobrenome de Castilho, goiano da cidade de Santa Helena de Goiás, instrumentista, cantor e compositor, construiu uma carreira de sucesso no Brasil e no exterior cantando o amor na relação humana. Um dos maiores vendedores de discos no Brasil, América Latina e Estados Unidos da América na década de 70. Em 30 de março de 1981, Lindomar dirigiu-se a um bar onde Eliane de Grammont, de quem estava separado a um ano se apresentava como cantora, acompanhada pelo instrumentista Carlos Randal, desferindo 5 tiros no palco, dos quais um matou Eliane. Era ali, a vida imitando a arte numa tragédia nas relações humanas muitas vezes expressadas em suas canções.

Luiz Humberto Carrião

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A arte do humor ficou ainda mais pobre: morreu Dicró, o último dos três 'malandros in concert' (*)



O samba, o humor, a irreverência está de luto. Nascido em Mesquita, em 14 de fevereiro de 1946, Carlos Roberto de Oliveira, o Dicró, ficou conhecido por seus sambas irreverentes e letras de duplo sentido. O apelido Dicró é do tempo em que fazia parte da ala de compositores de um bloco de Nilópolis, Baixada Fluminense. Em sua homenagem este Blog posta sua última entrevista ao Jô Soares em 28/07/2011.

(*) Moreira da Silva, Bezerra da Silva e Dricró

Luiz Humberto Carrião

segunda-feira, 16 de abril de 2012

il giorni dell'arcobanelo, Nicola di Bari



Os dias de arco-iris

Eram os dias do arco-iris, passado o inverno o céu estava claro.
E você, com a lua e as estrelas nos olhos sentia uma mão acariciar a sua pele.
E inebriados pelo perfume das flores, a noite se iluminou de milhares de cores.
Estendida sobre a relva como alguém que sonha, deitou-se menina, levantou-se mulher.
Você agora se sente grande. Tornou-se mais forte e segura e iniciou a aventura.
Já são crianças as amigas de antes, que se reencontram em grupo para brincar
E ainda sonham sob um raio de lua.
Vive a vida de mulher importante, porque aos 16 anos já teve um amante.
Mas um dia saberá que toda mulher amadurece cada uma no seu tempo certo.
E que na sua pressa para encontrar o amor esta deixando de viver o melhor da sua idade.
Era os dias de arco iris, finito l'inverno tornava il sereno.

Nicola di Bari, pseudônimo do cantor italiano Michele Scommegna, abençoado com uma das mais belas vozes já ouvidas neste Planeta.

Somente um homem pode fazer de ti, oh! minha menina, uma mulher. Esse homem existiu?
Se existiu na certeza deixará em ti um rasto de tristeza e solidão pelos descaminhos do Amor.
Se não. Não te esqueça de suas bonecas, de suas casinhas, de andar pela enxurrada descalça.
Somente assim é que poderá um dia olhar para trás e sentir quão bela era a vida antes do Amor.

Luiz Humberto Carrião.